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Grupo começou a ganhar forma a partir de iniciativa voluntária
O Arraiá do Zade segue firme como símbolo de resistência e identidade popular em Linhares. Atuando desde 2007, o grupo mantém viva a essência das festas juninas tradicionais, mobilizando jovens, comunidades e o comércio local.
Fundado por Zade, nascido em 21 de junho de 1959, o Arraiá teve início na comunidade de Cacimbas. Na época, a localidade carecia de atividades culturais, e foi a partir de uma iniciativa voluntária que o grupo começou a ganhar forma.
Com o passar dos anos, o Arraiá se tornou um ponto de encontro comunitário, reunindo moradores e criando dinâmica cultural no território. No entanto, entre 2010 e 2012, o grupo enfrentou um período de redução de participantes, o que levou à necessidade de reestruturação.
Foi então que, em 2015, o Arraiá do Zade foi transferido para o centro de Linhares, ampliando seu alcance e fortalecendo sua presença no cenário cultural da cidade.
Diferente de muitas quadrilhas contemporâneas, o Arraiá do Zade mantém uma proposta tradicional, inspirada nas festas juninas do nordeste brasileiro.
Sem enredos elaborados ou coreografias estilizadas, o grupo aposta na simplicidade e na autenticidade: roupas com retalhos, chapéus de palha, botinas, passos sincronizados e a clássica narração espontânea que conduz a dança.
A escolha por esse formato não é apenas estética, mas também cultural. Trata-se de um compromisso com a preservação de uma prática que carrega memória, história e identidade popular.
Formação de jovens e impacto social
Em sua trajetória, o Arraiá do Zade já envolveu centenas de jovens, principalmente entre 15 e 20 anos. Os ensaios acontecem duas vezes por semana e exigem disciplina, comprometimento e trabalho coletivo.
Mais do que ensinar dança, o projeto atua como ferramenta de transformação social. Muitos participantes encontram no Arraiá um espaço de pertencimento, convivência e desenvolvimento pessoal.
Apesar da relevância cultural, o Arraiá do Zade nunca contou com financiamento público estruturado. A manutenção do grupo depende, principalmente, do apoio de comerciantes locais, que contribuem com figurinos, calçados e outros custos.
As apresentações, na maioria das vezes, garantem apenas transporte e alimentação para os participantes. Ainda assim, a agenda do grupo segue intensa, especialmente durante o período junino.
Com forte demanda, o Arraiá do Zade realiza apresentações em diferentes comunidades, chegando, em alguns casos, a dançar mais de uma vez no mesmo dia.
Segundo Zade, a agenda poderia ser ainda maior, mas a limitação está na capacidade de atender todos os convites.
Desafios e futuro
Mesmo com o reconhecimento popular, o grupo enfrenta desafios importantes, como a falta de recursos, a diminuição de iniciativas culturais comunitárias e a dificuldade de engajamento de novos participantes.
Para Zade, um dos principais obstáculos é a vergonha que ainda impede muitos jovens de participar. Ainda assim, ele segue firme na missão de manter o Arraiá ativo e inspirar novas gerações.
Antes mesmo do Arraiá, Zade já era uma figura conhecida na cena cultural de Linhares. Nas décadas de 1970 e 1980, atuou como DJ, organizando bailes e eventos com discos de vinil, sendo um dos pioneiros nesse segmento na cidade.
Também fundou grupos de dança como Garotas de Zade e Estrela da Noite, ampliando sua contribuição para a cultura local.
Com quase duas décadas à frente do Arraiá, Zade deixa um recado direto: “Não deixa o que você gosta de fazer morrer. Continua. Foca no seu objetivo”. E reforça, com simplicidade, a essência do seu trabalho: “Se eu não danço, eu endoido”.
Agenda confirmada
Junho
06 – Pontal do Ipiranga
13 – Cacimbas
27 – Chapadão das Palminhas
Julho
04 – Alan Gás (bairro aviso)
11 – Povoação (Zé Colmeia)
18 – Vitória (Sambão do Povo)
23 – Data pré-agendada
Agosto
7, 8 e 9 - Festa Municipal (Praça 22 de Agosto) – Concurso
16 - Evento no bairro Aviso (Vicentini