Arquivo TERRAL

Depois de muita polêmica, a Plataforma Cação começa a ser removida
Depois de anos de impasse, a Plataforma Cação, localizada a 8 quilômetros da costa, entre os municípios de São Mateus e Linhares, começa a ser retirada. A informação é de Carlos Jaques Mazzei Ferreira, coordenador do movimento “A Plataforma é Nossa”. Ele enviou para a redação do TERRAL foto de um guindaste ao lado da estrutura e lamentou a situação.
Para Carlos Jacques, o local é considerado um recife natural, com formação de corais na estrutura submersa da plataforma, peixes e reprodução. “A manutenção da parte inferior da estrutura, a que está submersa, garantiria renda aos pescadores artesanais e atração de turismo por meio da pesca esportiva. A plataforma foi instalada no local há décadas e a sua remoção vai acabar com um dos principais pesqueiros na região – um espaço precioso para a pesca artesanal”, frisou.
A polêmica em torno da retirada da plataforma se arrasta há vários anos. Em 2016, o procurador da República Guilherme Garcia Virgílio instaurou um procedimento para impedir que a Petrobras removesse a estrutura. A decisão surgiu a partir de uma representação do movimento “A Plataforma é Nossa”. O despacho foi dado após uma audiência na sede do Ministério Público Federal-ES, em São Mateus, com representantes de associações relacionadas à pesca profissional e esportiva.
No documento, o procurador pediu explicações à Petrobras sobre a desmontagem e remoção da plataforma, solicitando ainda cópias do projeto de desativação e das manifestações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e da Capitania dos Portos do Espírito Santo, que avaliaram e aprovaram o projeto.
Estudiosos do setor afirmam que, nos próximos 20 anos, a retirada de plataformas de petróleo do oceano deve movimentar R$ 50 bilhões no país. O nicho fez com que o governo capixaba tente atrair empresas que trabalham na cadeia do desmonte desses equipamentos, para que parte do valor envolvido fique no Espirito Santo. Além disso, a ideia é que a indústria da siderurgia reaproveite o metal das unidades de exploração de petróleo.
O governo do ES apresentou propostas para a ANP modernizar as resoluções do descomissionamento de plataformas. Até 2024, a Petrobras pretende descomissionar 18 plataformas em todo o Brasil. A estatal licitou um projeto para desativar três plataformas fixas, situadas no campo de Cação, na bacia do Espírito Santo, no litoral de São Mateus. Os poços conectados às estruturas já foram desativados.
Em média, uma plataforma de exploração alto-mar opera por um período de 15 a 20 anos. Após esse tempo, as petroleiras são obrigadas por lei a removerem suas plataformas dos locais. Para isso, elas contratam uma empresa que fica responsável pela remoção e destinação dos materiais. É um processo complexo, sobretudo do ponto de vista ambiental, já que inclui o fechamento dos poços e a desconexão deles.
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O local é considerado um recife natural, com formação de corais na estrutura submersa da plataforma, peixes e reprodução
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De acordo com movimento, a remoção da estrutura vai acabar com um dos principais pesqueiros na região – um espaço precioso para a pesca artesanal

Foto enviada para o TERRAL por Carlos Jaques Mazzei Ferreira, coordenador do movimento “A Plataforma é Nossa”: guindaste ao lado da estrutura